Canibal de Garanhuns pede prisão domiciliar alegando saúde debilitada
Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, conhecido como o 'Canibal de Garanhuns', condenado a 21 anos por assassinato, vilipêndio de cadáver e canibalismo, busca autorização para cumprir pena em prisão domiciliar. O pedido foi fundamentado na alegação de um estado de saúde debilitado, e atualmente, Silveira cumpre pena na Penitenciária Professor Barreto Campelo, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco.
O caso do 'Canibal de Garanhuns' ganhou notoriedade nacional após Silveira ser condenado por matar Jéssica Camila da Silva Pereira, uma jovem de 17 anos, em um crime cometido em Olinda, em 2012. Ele e duas cúmplices consumiram partes do corpo da vítima como parte de um ritual de purificação, e desde então, Silveira é visto como um dos assassinos mais frios da história criminal brasileira.
No pedido de prisão domiciliar, a defesa de Silveira argumenta que seu estado de saúde é grave, progressivo e irreversível, o que torna sua permanência no sistema prisional incompatível. Segundo a petição, o condenado, atualmente com 64 anos, apresenta cegueira bilateral total devido ao glaucoma neovascular e suspeitas de acidente vascular cerebral, que afetam sua mobilidade e sensibilidade.
Além disso, o pedido enfatiza que Silveira sofre de esquizofrenia, com episódios de delírios e alucinações, necessitando de medicação psiquiátrica contínua. Segundo o advogado Renato Vilela, "ele se encontra totalmente dependente de terceiros para atividades básicas do dia a dia, como se alimentar, se locomover e realizar a própria higiene, fazendo uso inclusive de fraldas geriátricas".
A Justiça de Pernambuco está analisando o pedido, levando em consideração critérios como o tempo de pena cumprido e o comportamento de Silveira dentro do cárcere. No presídio, o condenado alegou ter se convertido ao evangelismo, participando de atividades religiosas em três diferentes igrejas. Em entrevistas, Silveira expressou seu desejo de dar testemunhos de transformação e evitar que outras pessoas cometem os mesmos erros que ele.
Ele também compartilhou que sua trajetória criminosa foi profundamente afetada por traumas de infância, incluindo o avistamento da traição de sua mãe. Silveira disse: "Desde a infância tive traumas […] foram várias coisas que foram se acumulando e influenciaram minhas atitudes naquele tempo". Ele acredita que sua cegueira é um castigo divino, resultante de sua vida anterior.
De acordo com a sentença de condenação, o crime foi meticulosamente planejado, e Silveira, junto com suas cúmplices, selecionou uma vítima vulnerável, utilizando métodos ardilosos para atraí-la. A execução do crime foi descrita como cruel e premeditada, o que levou à condenação por ocultação e vilipêndio de cadáver.
As cúmplices de Silveira, Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva, também foram condenadas a penas elevadas, de aproximadamente 19 anos de reclusão cada. A Justiça, ao avaliar o pedido de prisão domiciliar, terá que ponderar sobre a gravidade dos crimes cometidos em contraposição ao estado de saúde do réu.