Rosiska Darcy de Oliveira critica feminicídios e defende aborto
A escritora e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Rosiska Darcy de Oliveira, lançou sua fotobiografia, onde reflete sobre sua trajetória e aborda questões cruciais do feminismo e dos direitos das mulheres. Durante a entrevista, que ocorreu na ABL no Rio, Rosiska enfatizou a importância da liberdade e da autonomia feminina, afirmando que a única decisão sobre o aborto deve ser da mulher.
Em sua obra, Rosiska não apenas revisita momentos marcantes de sua vida, como também critica o alarmante aumento dos feminicídios no Brasil, que ela considera um reflexo de uma agenda conservadora crescente que gera ódio contra as mulheres. Sabe-se que a escritora, que passou 15 anos no exílio por denunciar violências durante a ditadura, tem uma longa trajetória no ativismo pelos direitos femininos e já foi presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.
“Sempre houve violência contra as mulheres. Ela não era visível porque ninguém metia a colher. De lá para cá, aconteceram protestos, delegacias de mulheres, a Lei Maria da Penha”, afirma Rosiska, ressaltando que a realidade atual de feminicídios não é um acaso, mas resultado de discursos alimentados pela extrema direita. Para ela, o debate sobre mulheres não deve ser reduzido a uma questão de costumes, mas deve se expandir para questões de direitos fundamentais, incluindo a discussão em torno do aborto e da eutanásia.
Rosiska explica que a decisão sobre a gravidez deve ser exclusiva da mulher, um princípio que ela defende fervorosamente: “Sou favorável a que se despenalize o aborto, e acho que a única pessoa que decide sobre isso é a mulher. Ela não vai ter um filho do Código Penal, do Congresso Nacional ou da Igreja.” Além disso, ela aponta a necessidade de se discutir a eutanásia no Brasil, afirmando que queria ter a escolha sobre sua própria vida até o momento da morte.
A escritora deixa claro que a luta pela igualdade ainda é fundamental, destacando que a sua geração foi testemunha de mudanças extraordinárias na sociedade, que começou a quebrar paradigmas milenares que viam as mulheres como inferiores. “A base da igualdade é o reconhecimento dessa diferença”, afirma ela, que foi coautora do primeiro livro brasileiro sobre violência doméstica.
Rosiska Darcy de Oliveira, por meio de sua fotobiografia e seu ativismo, busca não apenas documentar a luta feminina, mas também inspirar novas gerações a continuarem defendendo a liberdade e os direitos humanos. Suas palavras e obras se tornam instrumentos poderosos de resistência e reflexão sobre as desigualdades presentes na sociedade brasileira.