Culturas em risco: edificação histórica em SP pode perder tombamento

Por Autor Redação TNRedação TN

[Prédio tombado em SP pode ser destombado]. Reprodução: G1

Prédio da Escola Panamericana de Arte e Design em São Paulo em risco de perder tombamento

Um prédio tombado como patrimônio histórico na cidade de São Paulo, localizado na Avenida Angélica, pode ter sua proteção revogada. A edificação abriga a Escola Panamericana de Arte e Design e é conhecida por sua arquitetura característica, com estrutura metálica vermelha aparente tanto interna quanto externamente.

Reconhecido em 2024 pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o imóvel projetado pelo arquiteto Siegbert Zanettini entre as décadas de 1970 e 2000, reflete a notável estética da arquitetura pós-moderna. Recentemente, a empresa proprietária apresentou um recurso ao Conpresp, argumentando que o tombamento do prédio não possui relevância arquitetônica e é uma imposição descabida.

No documento, a dona do imóvel questiona a importância do edifício e argumenta que tombamentos semelhantes não deveriam ser utilizados como homenagem a arquitetos ou criar restrições excessivas ao uso das instalações. O prédio, com suas distintivas pontes de acesso em formato cilíndrico e um topo piramidal, simboliza uma época e estilo que muitos defendem ser valioso para o patrimônio cultural da cidade.

Defesa da preservação cultural

Em resposta ao pedido da proprietária, representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) ressaltaram a importância do edifício como um marco da arquitetura paulista, refletindo práticas construtivas e estéticas da época. A coordenadora do CAU-SP, Maíra Barros, afirmou: "Além de ser um marco do modo de fazer arquitetura, ele traz técnicas construtivas que são muito peculiares daquela época. É fundamental que esse exemplar seja reconhecido. A relação com a rua e a permeabilidade visual são características que trazem valor ao local".

A votação sobre a manutenção do tombamento estava programada para o dia 9, mas foi adiada para que os conselheiros realizem uma visita ao local antes de tomar uma decisão. Os membros do Conpresp ainda não anunciaram uma nova data para a reunião.

Contexto e desafios da preservação

O tombamento da Escola Panamericana foi motivado pela demolição de outro edifício da mesma escola, na Rua Groenlândia, que ocorreu em 2021 sem a avaliação do Conpresp. Esse caso, junto a outras demolições de edifícios de valor histórico, alimenta a discussão sobre a preservação do patrimônio arquitetônico em São Paulo. Em abril de 2025, outro prédio significativo, projetado pelo renomado arquiteto modernista Rino Levi, também foi demolido, evidenciando a fragilidade da proteção ao patrimônio cultural na metrópole.

O arquiteto Siegbert Zanettini, responsável pelos projetos da Escola Panamericana de Arte e Design, continua ativo aos 87 anos e é amplamente reconhecido por suas contribuições à arquitetura brasileira.

É evidente que a situação atual do prédio é um reflexo dos desafios enfrentados na preservação do patrimônio em ambientes urbanizados e em rápida transformação, trazendo à tona a necessidade de um diálogo consistente sobre a valorização do que representa a história e a cultura de São Paulo.

Tags: Patrimônio Histórico, Arquitetura Paulista, Escola Panamericana, Siegbert Zanettini, Preservação Fonte: g1.globo.com