Investigação sobre furto de vírus na Unicamp ganha novos desdobramentos

Por Autor Redação TNRedação TN

PF investiga casal suspeito de vender vírus levados da Unicamp. Reprodução: G1

Investigação da Polícia Federal sobre o furto de vírus na Unicamp

A Polícia Federal (PF) de Campinas está em busca de esclarecer um caso intrigante que envolve o furto de amostras biológicas de um laboratório da Unicamp. A investigação se concentra na docente Soledad Palameta Miller e seu esposo, Michael Edward Miller, que são suspeitos de terem subtraído pelo menos 24 cepas de vírus do Laboratório de Virologia, localizado no Instituto de Biologia (IB) da universidade.

As amostras que foram levadas incluem vírus conhecidos como dengue, zika, chikungunya, e coronavírus humano, além de vírus que infectam animais e também tipos conhecidos da gripe, como H1N1 e H3N2. Essa situação alarmou as autoridades, uma vez que as cepas eram mantidas em um ambiente de biossegurança de nível 3 (NB-3), que é considerado de alta segurança para a contenção de agentes infecciosos.

Motivações e possíveis ilegalidades

Segundo a PF, ainda não há provas concretas de que as amostras tenham sido comercializadas, mas a hipótese está sendo rigorosamente investigada. Soledad e Michael são sócios na empresa Agrotrix Biotech Solutions, que se dedica à pesquisa e desenvolvimento em ciências físicas e naturais. Com o recente furto, a PF busca determinar se houve alguma intenção de lucrar com as amostras.

A docente se defende alegando que utilizava o laboratório da Unicamp por não possuir infraestrutura própria para suas pesquisas. No entanto, é sabido que as amostras foram retiradas sem autorização, o que gerou uma série de repercussões legais e administrativas dentro da universidade.

Desdobramentos e investigações adicionais

O caso não só resultou em uma investigação criminal pela PF como também chamou a atenção do Ministério Público Federal (MPF). Este órgão instaurou procedimentos para apurar possíveis falhas na gestão de controle e fiscalização de material biológico por parte da Unicamp. O MPF mira examinar as circunstâncias que levaram ao furto e a adequação das práticas de segurança na instituição.

Quais os próximos passos?

Foi revelado que a defesa de Soledad afirma que não há materialidade no crime, argumentando que sua pesquisa se dá dentro das normas. Contudo, a PF aponta que Soledad e seu marido podem ser responsabilizados por crimes como furto qualificado e manutenção irregular de organismos geneticamente modificados. Enquanto a investigação criminal avança, a Unicamp já iniciou uma sindicância interna para averiguar os procedimentos relacionados ao furto.

Resumo: Um caso de segurança em instituições científicas

Este caso levanta questionamentos sérios sobre a segurança no manuseio de materiais biológicos. Em comunicação oficial, a Unicamp enfatizou que opera em conformidade com protocolos rígidos de segurança e designou o incidente como "caso isolado". No entanto, o impacto na confiança pública e na segurança das práticas científicas está sendo amplamente debatido na comunidade acadêmica e entre as autoridades de saúde.

Com a continuação das investigações, espera-se que as respostas tragam clareza e reforcem protocolos de segurança nas instituições de pesquisa no Brasil.

Tags: Furto de Vírus, Unicamp, Polícia Federal, Saúde Pública, Biotecnologia Fonte: g1.globo.com