Operação Fallax: Liberação de Alvos em Esquema de Fraudes Bancárias
A Justiça liberou, nesta terça-feira (31), 16 investigados que foram presos durante a Operação Fallax, deflagrada na última quarta (25) pela Polícia Federal (PF) para combater um esquema de fraudes bancárias. Outros três suspeitos seguem foragidos. As informações constam em decisão publicada pela 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Ao g1, o delegado Florisvaldo Emílio das Neves, da PF, afirmou que as apurações seguem normalmente, com análise de documentos apreendidos e dados fiscais e bancários. Caso haja necessidade, os alvos que forem localizados poderão prestar depoimento.
Um dos liberados é Thiago Branco de Azevedo, de 41 anos, conhecido como Ralado. O morador de Americana (SP) é apontado como um dos líderes do esquema. De acordo com as investigações, a organização praticava fraudes bancárias mediante o uso de empresas de fachada, "laranjas" e cooptação de agentes do sistema financeiro. Pessoas eram pagas com importâncias consideradas "ínfimas", como R$ 150 e R$ 200, para emprestar seus nomes. Gerentes de banco também recebiam "comissões" como pagamento por participarem do esquema.
Conforme apurou a PF, o grupo abriu múltiplas contas bancárias e celebrou contratos de empréstimo milionários. Já foram identificadas movimentações de, pelo menos, R$ 47 milhões. As apurações resultaram em 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Na última quarta, dia da operação, 15 pessoas foram presas. Já na última sexta (28), outras três pessoas se apresentaram na delegacia da PF em Piracicaba (SP), entre elas Ralado. Os 18 presos só foram liberados nesta terça. Outros três alvos seguem foragidos: Ariovaldo Alves de Assis Negreiro Junior, de Osasco (SP); Igor Gustavo Martins Avela, de São Paulo (SP); e Carlos Ramiro Rodrigues, de Rio Claro (SP).
O g1 não conseguiu localizar as defesas. Além dos 21 que tiveram prisão decretada, há outros 12 suspeitos que foram alvos apenas de mandados de busca e apreensão. Entre eles, está Rafael Ribeiro Leite Góis, sócio-fundador e CEO do Grupo Fictor. Sua defesa afirmou que vai prestar esclarecimentos necessários às autoridades assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação.
O esquema tinha quatro núcleos, que eram divididos da seguinte forma: Bancário: responsável pela viabilização de abertura de contas, concessão de crédito e fornecimento de informações internas. Contábil: atuava na elaboração de documentos para pedidos de crédito, como declarações fiscais, demonstrações contábeis e comprovantes de endereço. Financeiro: fazia a gestão de contas bancárias em nome de "laranjas", emissão e pagamento de boletos, controle de máquinas de cartão e realização de transferências. Cooptação: responsável por cooptar potenciais laranjas, ou seja, identificava e aliciava pessoas para figurarem como sócios de empresas. Essa estrutura teria permitido a constituição reiterada de pessoas jurídicas, a abertura de múltiplas contas bancárias e a celebração de contratos de empréstimo milionários.
A operação teve 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. 18 pessoas estão presas e outras três estão foragidas. Foram apreendidos computadores, documentos e aparelhos celulares relacionados à operação. Foi determinado o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Foram autorizadas ainda medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas. Segundo a PF, eram realizadas fraudes bancárias em instituições financeiras. As fraudes investigadas podem alcançar valores superiores a R$ 500 milhões.