Explosão de asilos clandestinos em Ribeirão Preto causa comoção

Por Autor Redação TNRedação TN

Promotor critica casas de repouso interditadas em Ribeirão. Reprodução: G1

Fechamento de asilos clandestinos em Ribeirão Preto

Nos últimos cinco meses, Ribeirão Preto tem enfrentado um sério problema com a interdição de asilos clandestinos, resultando no fechamento de cinco instituições de longa permanência para idosos (ILPIs). As operações foram realizadas pela Vigilância Sanitária e pelo Ministério Público, após denúncias que revelaram condições precárias de infraestrutura e atendimento.

Condições inadequadas e riscos à saúde

As investigações indicaram que essas casas de repouso não só apresentavam problemas estruturais, mas também ofereciam cuidados insuficientes para seus moradores. Em uma ação realizada em novembro do ano passado, três asilos localizados nos bairros Marincek, Alto da Boa Vista e Centro foram fechados. Durante essa operação, a equipe da Secretaria de Saúde encontrou todos os idosos com sarna, uma doença de pele altamente contagiosa.

Casos alarmantes durante as interdições

O caso mais chocante ocorreu em março deste ano, quando uma mulher de 86 anos foi resgatada em um estado crítico, com larvas na boca. Infelizmente, ela faleceu quatro dias depois. Esses incidentes levantaram sérias questões sobre a qualidade do atendimento oferecido nesses locais.

Declarações de autoridades

"Podemos chamar de qualquer outra coisa, casa de penitência, casa do inferno, qualquer outra coisa, menos chamar de casa de repouso, porque eu duvido que essas pessoas repousem bem nessas casas", disse o promotor de Justiça da Pessoa Idosa, Carlos Cezar Barbosa.

Barbosa enfatiza que as condições observadas são inaceitáveis e que as instituições interditadas não deveriam ser classificadas como casas de repouso. Ao todo, 76 idosos foram remanejados devido à situação crítica desses asilos.

Falta de regulamentação e fiscalização

A falta de alvarás e licenças de funcionamento nos asilos clandestinos é um forte indicativo de irregularidades. Como explica Paulo César Gentile, juiz da Vara da Infância, da Juventude e do Idoso de Ribeirão Preto, a exploração da vulnerabilidade dos idosos tem se tornado cada vez mais comum. "Esses casos não são novos; têm se repetido há anos na cidade", observa.

A responsabilidade do município

Gentile ressalta que embora não seja ilegal abrir uma instituição para idosos, os direitos dos moradores não podem ser desrespeitados. A solução para essa crise passa pela responsabilidade do poder público em oferecer alternativas dignas e reguladas. "O município se ausentou há muito tempo na supervisão e carece de ações efetivas para estabelecer espaços adequados de acolhimento para os idosos", conclui.

O futuro da assistência a idosos em Ribeirão Preto

A situação em Ribeirão Preto é um alerta para outras cidades sobre a necessidade urgente de regulamentação e fiscalização das instituições de longa permanência para idosos. A comunidade e as autoridades precisam se unir para garantir que os direitos dos idosos sejam respeitados e que locais de acolhimento dignos sejam oferecidos a essa população vulnerável.

Tags: Direitos dos Idosos, Cuidado com Idosos, Vigilância Sanitária, Saúde Pública, Ribeirão Preto Fonte: g1.globo.com