Paciente denuncia médico após episódio de assédio em consulta
Uma jovem de 18 anos, residente em Franca, São Paulo, falou pela primeira vez sobre sua experiência traumática durante uma consulta médica. O médico envolvido, João Batista de Resende, de 67 anos, está sendo investigado pela Polícia Civil após a paciente relatar ter sido tocada de forma inapropriada.
A paciente procurou a unidade de saúde devido a uma dor de garganta e relatou que, durante o atendimento, o médico puxou a gola de sua camisa e tocou os seios dela. "Eu disse que estava com uma dor de garganta, ele examinou e depois, puxou a gola da minha camisa e pôs a mão dentro da minha camiseta no meu peito", contou a jovem.
O incidente ocorreu no dia 18 de março, e Resende foi preso no mesmo dia, mas posteriormente liberado em audiência de custódia. O caso foi registrado como importunação sexual na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde outros relatos relacionados ao médico também foram recebidos.
A Secretaria de Saúde local informou que o médico foi afastado de suas funções e um processo administrativo para investigar os fatos foi instaurado. A defesa de Resende nega as acusações, ressaltando que ainda existem provas a serem analisadas e que a apuração inicial não esgotou todos os pontos essenciais para a correta compreensão do caso.
Após o incidente, a jovem se sentiu paralisada e, ao deixar a sala de consulta, compartilhou com sua mãe o que havia acontecido. Juntas, elas retornaram à unidade de saúde para formalizar a denúncia. "Fomos perguntar para as enfermeiras qual era o procedimento e elas nos orientaram a ligar para a polícia", explicou a paciente.
Ela também relatou ter visto o médico novamente enquanto era atendida, e ele se comportou de forma estranha com a sua mãe. "Ele olhou para ela e brincou, sem saber do que havia acontecido, o que só aumentou meu desconforto", disse.
Desde a consulta, a jovem tem enfrentado sérios problemas psicológicos, incluindo crises de pânico e ansiedade. "Estou tendo que fazer acompanhamento psicológico e psiquiátrico, estou tomando remédio, não consigo dormir. Essa experiência me deixou muito mal", revelou.
A denúncia e suas repercussões levantam discussões importantes sobre segurança e ética no atendimento médico, além de reiterar a necessidade de ouvirmos e acolhermos vítimas de assédio em qualquer situação. A sociedade aguarda um desfecho justo para o caso, refletindo sobre a importância de protocolos rigorosos para evitar e combater práticas abusivas em ambientes de cuidado.