Influenciador é investigado por sexualizar imagens de evangélicas

Por Autor Redação TNRedação TN

Influencer investigado por sexualizar evangélicas criticou roupas. Reprodução: G1

Investigação envolve uso de Inteligência Artificial para manipulação de imagens

O influenciador digital Jefferson de Souza está sob investigação pela Polícia Civil de São Paulo, suspeito de utilizar inteligência artificial (IA) para manipular e sexualizar imagens de jovens evangélicas. Ele ganhou notoriedade nas redes sociais, especialmente no TikTok, YouTube e Instagram, onde se apresenta com quase 50 mil seguidores e critica o modo como as fiéis se vestem durante os cultos.

Jefferson, que é conhecido por suas publicações controversas, afirma que os vestidos usados por essas jovens "marcam o corpo" e comenta sobre o comportamento delas, que frequentemente compartilham fotos em templos religiosos. Em vídeo, ele declara: "Algumas mostram o rosto, mas mostrando outras partes também. E hoje em dia, as roupas que as irmã [sic] usam são roupas que marcam o corpo".

A investigação começou em fevereiro e envolveu a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, após uma das jovens, que apenas tinha 16 anos, ter conversado com a polícia sobre o uso indevido de sua imagem. Jefferson está sendo investigado por simular cena de sexo com menores de idade, de acordo com a legislação brasileira (artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente). A possível pena pode variar de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa.

Deepfakes e suas Implicações Legais

O termo deepfake se refere a uma técnica que emprega inteligência artificial para criar ou modificar de forma realista imagens e vídeos. Jefferson admitiu à polícia que usa fotos das fiéis como combustível para seus vídeos, nos quais manipula essas imagens, gerando um conteúdo que, segundo ele, se destina ao humor. A delegada Juliana Raite Menezes, responsável pelo caso, destacou: "Estamos investigando esse caso de deepfake. A internet não é uma terra sem lei".

Jefferson, humorista e borracheiro de 37 anos, usa a fama do apresentador Silvio Santos em suas produções, colocando-se como "Silvio Souza". Ele permitiu que sua defesa divulgasse uma declaração afirmando que as publicações tinham um caráter de sátira, sem qualquer intenção de promover exploração sexual ou pornografia.

A reação pública não foi positiva. O influenciador foi criticado por seu conteúdo, que muitas pessoas interpretam como desrespeitoso e próximo da sexualização de jovens. "E eu faço isso. E eles falam que eu estou manchando a obra de Deus", diz ele sobre as críticas que recebe. Entretanto, ele ainda se defende afirmando que isso era apenas uma maneira de atrair atenção e ganhar seguidores.

Reações das Vítimas e Especialistas

As vítimas de Jefferson, incluindo a estudante de 16 anos, descreveram como se sentiram expostas e desconfortáveis com as edições feitas por ele. Uma das jovens mencionou: "Eu sou muito envergonhada, então não queria ter sido exposta. Isso afetou meu convívio social". Outro relato fala sobre tentativas de remoção do conteúdo ofensivo e a frustração diante da inação das plataformas digitais.

Especialistas em direitos digitais enfatizam que o uso da IA não diminui a responsabilidade daqueles que criam ou compartilham esse tipo de conteúdo. A pesquisadora Laura Hauser, da PUC-SP, adverte: "Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar". Juliana Cunha, da SaferNet, alerta para o aumento desses casos com o avanço das tecnologias e enfatiza a importância de trazer transparência e de revistar políticas públicas que protejam a dignidade das vítimas.

Posicionamento das Instituições Religiosas e das Plataformas Digitais

A Congregação Cristã do Brasil se manifestou sobre o caso, afirmando que não possui registro formal de membros e que encoraja a adoção de medidas legais apropriadas por parte das autoridades competentes. O SBT, que foi mencionado em algumas das postagens de Jefferson, não se pronunciou a respeito de qualquer vínculo com ele ou sobre medidas a serem tomadas.

As plataformas digitais também estão se posicionando. O TikTok reafirmou sua política de tolerância zero contra a exploração sexual infantil e removeu conteúdos que violam as diretrizes. O YouTube também tomou medidas para retirar conteúdos inapropriados, enquanto a Meta, responsável pelo Instagram e Facebook, não fez comentários até o fechamento desta reportagem.

Tags: Inteligência Artificial, Direitos das Mulheres, Evangélicos, Deepfake, Proteção Infantil Fonte: g1.globo.com