Mutir�o leva Cannabis medicinal a crian�as autistas em Fernando de Noronha

Por Autor Redação TNRedação TN

Mutir�o leva Cannabis medicinal a crian�as autistas em Fernando de Noronha

Entre os dias 17 e 23 de maio de 2026, Fernando de Noronha (PE) recebeu a segunda etapa de um mutirão de atendimentos com Cannabis medicinal, promovido pela AbecMed (Associação Brasileira de Estudos Canábicos). O foco principal da ação foi atender crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e pacientes que sofrem de ansiedade, insônia e dor crônica. A primeira fase do projeto ocorreu em fevereiro, onde foram realizadas 68 consultas presenciais e distribuídos 76 óleos de Cannabis.

Os dados coletados na primeira etapa indicaram que 57,4% dos pacientes atendidos apresentavam diagnósticos relacionados à ansiedade, enquanto 41,2% relataram distúrbios do sono e 20,6% estavam em tratamento para depressão. Além disso, foram registrados atendimentos relacionados a dor crônica, TEA, TDAH e fibromialgia. A associação destacou a importância do acompanhamento contínuo, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços de saúde especializados.

Lucinéia Vicente da Silva, uma moradora de Fernando de Noronha, compartilhou sua experiência com o tratamento. Ela começou a usar a Cannabis medicinal junto com seu filho, Alisson Gabriel da Silva Santos, de 16 anos, que foi diagnosticado com autismo nível 3. Lucinéia relatou que, antes do tratamento, Alisson tinha crises prolongadas de agressividade que duravam quase uma hora.

Após o início do acompanhamento, essas crises foram reduzidas para cerca de 15 minutos. Além disso, ela notou melhorias significativas na qualidade do sono e na comunicação do filho. "Ele está dormindo bem, está conseguindo ficar dentro de casa e se comunicar melhor.

Antes isso não acontecia", afirmou Lucinéia. Outra mãe que participou do mutirão, Rebeca Allen Ferreira de Lima, de 46 anos, também relatou melhorias no tratamento de seu filho, Fabio Patrick Ferreira, de 7 anos, que tem TEA nível 1, TDAH e transtorno do processamento sensorial. Rebeca observou que Patrick apresentou uma redução na agressividade e uma ampliação alimentar, conseguindo experimentar novos alimentos que antes não aceitava.

Ela mencionou que o filho deixou de usar escitalopram e atualmente utiliza apenas Atentah e CBD. Os atendimentos realizados durante o mutirão incluíram avaliação médica gratuita, definição de prescrição e acompanhamento remoto dos pacientes. O presidente da AbecMed, Alexandre Assis, explicou que, caso o médico considere a terapia necessária, a medicação é prescrita e retirada na própria unidade de saúde.

A equipe da associação retorna ao arquipélago a cada três meses para dar continuidade ao acompanhamento dos pacientes. A iniciativa tem gerado um impacto positivo na comunidade local, com relatos de moradores que notaram uma redução nas crises de agressividade e uma melhora na qualidade de vida de seus filhos. O uso da Cannabis medicinal, embora ainda cercado de controvérsias, tem se mostrado uma alternativa viável para muitos que buscam alívio para condições como o TEA e outros transtornos relacionados.

O mutirão em Fernando de Noronha é um exemplo de como a medicina alternativa pode ser integrada ao tratamento de condições de saúde mental, oferecendo novas esperanças para famílias que enfrentam desafios diários. A continuidade desse tipo de atendimento é fundamental para garantir que mais crianças e adolescentes possam se beneficiar das terapias disponíveis e melhorar sua qualidade de vida. Além disso, a ação destaca a importância de iniciativas que promovem o acesso a tratamentos inovadores e eficazes, especialmente em locais onde os recursos médicos são limitados.

A experiência de Lucinéia e Rebeca ilustra como a Cannabis medicinal pode transformar vidas, proporcionando não apenas alívio dos sintomas, mas também uma nova perspectiva de vida para as famílias envolvidas.

Tags: Cannabis Medicinal, Autismo, Fernando de Noronha, SaúdeMental, Mutirão Fonte: redir.folha.com.br