O Acre enfrenta um novo desafio agrícola com a detecção de um segundo caso da bactéria Ralstonia solanacearum, conhecida como moko da bananeira. Este novo foco foi identificado na comunidade Seringal Nova Sorte, localizada em Feijó, às margens do Rio Envira. A confirmação ocorreu pouco mais de oito meses após o primeiro registro da praga, que é considerada quarentenária, ou seja, apresenta risco significativo para a produção agrícola local.
A informação foi divulgada pela coordenadora do Programa Estadual de Sanidade da Bananicultura do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), Malena Lima. Segundo ela, a área afetada apresentava 18% das plantas vivas infectadas. Após a notificação do foco, que ocorreu em abril, o Idaf iniciou ações de erradicação e contenção da disseminação da praga na propriedade.
Durante uma inspeção em uma área de aproximadamente 1 hectare de banana prata, foi constatado que apenas 18% desse total estava infectado. A praga bacteriana é responsável pelo apodrecimento dos frutos e pela formação de pus bacteriano, o que pode causar grandes prejuízos aos produtores locais. Embora a Ralstonia solanacearum não afete a saúde humana, sua presença nas plantações de banana pode levar a perdas significativas na produção.
A infecção pode ser transmitida por meio de ferramentas não desinfetadas ou por insetos, o que torna a vigilância e a prevenção ainda mais importantes. O Idaf está realizando inspeções em todas as propriedades com cultivos de banana na região, abrangendo um raio de 5 km ao redor do foco identificado. Além disso, foram detectadas três novas suspeitas de focos da praga, e o órgão continua a realizar inspeções para monitorar a situação.
A contaminação das plantações pode ocorrer através do uso de materiais de manejo que não foram devidamente desinfetados, além do acúmulo de água das chuvas em solos encharcados. A transmissão da bactéria também pode ocorrer entre as raízes de plantas doentes e saudáveis, o que aumenta a complexidade do controle da praga. Para ajudar na detecção precoce da doença, o Idaf recomenda que os produtores realizem inspeções em suas plantações.
Algumas orientações incluem: - Adquirir mudas certificadas, provenientes de áreas livres de pragas; - Desinfetar equipamentos e utensílios utilizados no cultivo; - Em caso de identificação da praga, acionar o Idaf para que um técnico seja enviado ao local. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) alerta que a bactéria penetra nos frutos principalmente por ferimentos e se multiplica rapidamente nos vasos condutores, obstruindo o fluxo de água. Ela pode sobreviver no solo por longos períodos, especialmente em condições úmidas e quentes, o que torna a situação ainda mais preocupante para os agricultores da região.
Os sintomas da doença incluem o amarelecimento e a murcha das folhas da bananeira, além do escurecimento dos tecidos vasculares no interior do tronco da planta. A presença de frutos amarelos em cachos verdes é um indicativo claro da infecção. O corte dos frutos pode revelar sintomas de podridão seca e escurecimento vascular no engaço.
Em áreas abandonadas, o Idaf recomenda a destruição de todas as bananeiras por um período de 24 meses, uma medida drástica, mas necessária para controlar a disseminação da praga. Até o momento, não existem variedades comerciais de bananeira comprovadamente resistentes ao moko, o que reforça a importância das medidas preventivas e do monitoramento constante das plantações. A situação no Acre é um alerta para os produtores e para as autoridades agrícolas, que devem intensificar os esforços de controle e prevenção para evitar que a praga se espalhe ainda mais, comprometendo a produção de banana na região e, consequentemente, a economia local.