O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma alta de 0,67% em abril de 2026, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12). Este resultado ficou levemente abaixo das expectativas do mercado, que previa um aumento de 0,69% para o mês, segundo pesquisa realizada pela Reuters. Na comparação anual, o IPCA apresentou uma variação de 4,39%.
O grupo de alimentos e bebidas teve um impacto significativo no índice, com uma taxa de 1,34%, contribuindo com 0,29 ponto percentual (p. p.) para a variação total.
O grupo saúde e cuidados pessoais também apresentou alta, com 1,16%, resultando em um impacto de 0,16 p. p. no índice do mês.
Entre os itens que mais influenciaram a inflação, a gasolina se destacou, desacelerando de 4,59% em março para 1,86% em abril, representando 0,10 p. p. do indicador.
A alimentação no domicílio, por sua vez, registrou uma variação de 1,64%, impulsionada por aumentos significativos em produtos como cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%), tomate (6,13%) e carnes (1,59%). Por outro lado, alguns produtos apresentaram queda, como o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%). A alimentação fora do domicílio também teve um aumento, com alta de 0,59%.
O lanche passou de 0,89% em março para 0,71% em abril, enquanto a refeição variou de 0,49% para 0,54% no mesmo período. José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que a alta nos preços de alguns alimentos é resultado de uma restrição de oferta, especialmente no caso do leite, que, devido ao clima seco típico da época, requer a inclusão de ração para os animais, elevando os custos. Além disso, a elevação nos preços dos combustíveis impacta diretamente o custo do frete, influenciando o preço final dos alimentos.
No primeiro quadrimestre de 2026, o acumulado no grupo de Alimentação e bebidas foi de 3,44%, enquanto no mesmo período de 2025, o acumulado foi de 3,70%. Gonçalves destacou que, em 2025, ainda havia o efeito das altas do café e do tomate, enquanto desde julho de 2025, o café vem apresentando quedas nos resultados mensais. No grupo Saúde e cuidados pessoais, a alta de 1,16% foi impulsionada principalmente pelos produtos farmacêuticos, que subiram 1,77% após a autorização de um reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1° de abril.
Os artigos de higiene pessoal também tiveram destaque, com alta de 1,57%, sendo o perfume um dos itens que mais subiu, com 1,94%. No primeiro quadrimestre de 2026, o acumulado no grupo Saúde e cuidados pessoais foi de 2,91%, ligeiramente superior ao de 2025, que foi de 2,83%. Gonçalves observou que o movimento de preços é semelhante nos dois períodos, com influência do plano de saúde e dos artigos de higiene pessoal, além do reajuste dos medicamentos, que foi menor em 2026 em comparação a 2025.
O grupo Habitação também apresentou variação, com alta de 0,63% em abril, influenciada pelo gás de botijão, que subiu 3,74%, e pela energia elétrica residencial, que teve um aumento de 0,72%. Os reajustes nas tarifas de energia elétrica variaram entre 3,86% e 14,66% em diferentes regiões. O grupo Transportes desacelerou, passando de 1,64% em março para apenas 0,06% em abril, em grande parte devido à queda de 14,45% no subitem passagem aérea.
A gasolina, embora tenha desacelerado, ainda teve uma variação de 1,80%. Em termos regionais, Goiânia apresentou a maior variação, com 1,12%, influenciada pela alta da gasolina e da taxa de água e esgoto. Brasília, por outro lado, teve a menor variação, com apenas 0,16%, devido ao recuo nos preços da passagem aérea e da gasolina.
Esses dados refletem um cenário de inflação que, embora tenha apresentado alta, ainda se mantém dentro de parâmetros que podem ser considerados controláveis, especialmente em comparação com os anos anteriores, onde a inflação foi mais acentuada. O acompanhamento contínuo dos preços e das condições de oferta será fundamental para entender a trajetória da inflação nos próximos meses.