Inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos continuam subindo

Por Autor Redação TNRedação TN

Inflação desacelera para 0,67% em abril, mas alimentos continuam subindo - Foto: O Globo

A inflação no Brasil apresentou uma desaceleração em abril, registrando alta de 0,67%, em comparação com os 0,88% do mês anterior, conforme dados divulgados pelo IBGE. Este resultado estava alinhado com as expectativas de analistas de mercado, que também previam um aumento de 0,67%. No entanto, a alta acumulada nos últimos 12 meses subiu de 4,14% em março para 4,39%, distanciando-se do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que permite uma variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Apesar da desaceleração da inflação, a expectativa para o segundo trimestre é de que os preços continuem pressionados. Isso se deve a uma combinação de fatores, incluindo o choque nos preços do petróleo, que afeta os combustíveis, e as previsões de um fenômeno climático El Niño, que pode impactar a produção agrícola e, consequentemente, os preços dos alimentos. O grupo de alimentação e bebidas foi um dos principais responsáveis pela pressão inflacionária, com um aumento de 1,34% em abril.

Embora esse número represente uma desaceleração em relação ao mês anterior, onde a alta foi de 0,94%, os alimentos consumidos em casa tiveram um aumento ainda maior, de 1,64%. Entre os produtos que mais se destacaram na alta de preços estão a cenoura, com um aumento de 26,63%, e o leite longa vida, que subiu 13,66%. Outros itens que também tiveram aumentos significativos incluem a cebola (11,76%), o tomate (6,13%) e as carnes (1,59%).

Por outro lado, alguns produtos, como o café moído e o frango em pedaços, apresentaram quedas nos preços, de -2,30% e -2,14%, respectivamente. José Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explicou que a alta nos preços dos alimentos é resultado de uma restrição de oferta, que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, a chegada do clima mais seco, que é sazonal nesse período, reduz a disponibilidade de pasto, levando os produtores a incluir ração na alimentação dos animais, o que eleva os custos.

Além disso, a elevação nos preços dos combustíveis impacta o custo final dos alimentos devido ao aumento nos fretes. Nos primeiros quatro meses do ano, a alta acumulada dos alimentos foi de 3,44%, um número que ainda é inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, que foi de 3,7%. Em 2025, a alta intensa do tomate e o aumento do café contribuíram para uma inflação mais elevada, mas a situação atual é diferente, com uma desaceleração em alguns itens.

Outro grupo que pressionou o índice de abril foi o de saúde e cuidados pessoais, que teve um avanço de 1,16%. Os produtos farmacêuticos, em particular, aumentaram 1,77%, devido a um reajuste autorizado de até 3,81% nos preços dos medicamentos, enquanto os artigos de higiene pessoal subiram 1,57%, com destaque para perfumes, que tiveram um aumento de 1,94%. Juntos, os grupos de alimentação e saúde foram responsáveis por 67% do resultado da inflação do mês.

Embora a gasolina tenha desacelerado de 4,59% para 1,86%, ela continua sendo o item de maior impacto individual no índice inflacionário. O cenário atual levanta preocupações sobre a capacidade de controle da inflação, especialmente com a aproximação do segundo trimestre e as incertezas relacionadas ao clima e ao mercado de petróleo. Diante desse panorama, a população deve se preparar para um período de preços elevados, especialmente em itens essenciais como alimentos e medicamentos, que têm um impacto direto no orçamento familiar.

A análise dos dados econômicos e as previsões para os próximos meses serão cruciais para entender a trajetória da inflação e as medidas que podem ser adotadas para mitigar seus efeitos sobre a economia e os consumidores.

Tags: Inflação, Alimentos, Preços, IBGE, Brasil Fonte: oglobo.globo.com