Milhares de estudantes na Dinamarca protestaram contra os cortes no subsídio estudantil propostos pelo governo, somando-se a uma onda de manifestações juvenis na Europa em defesa do apoio financeiro à educação.
Marcha em Copenhague e greve em escolas
Até 13.000 estudantes participaram de uma marcha da praça da prefeitura de Copenhague até o parlamento, sob o lema “Enough is Enough”. Simultaneamente, cerca de 40.000 estudantes realizaram greve em 57 escolas do país, reivindicando a manutenção integral das bolsas estudantis.
Críticas às medidas governamentais
Oscar Tonsberg Hoffmann, presidente da Associação Dinamarquesa de Estudantes do Ensino Médio, destacou que o apoio financeiro à educação é motivo de orgulho nacional e alertou contra o desmantelamento do sistema educacional dinamarquês, considerado um dos mais fortes do mundo. Kieran Hindshaw, estudante de agronomia, demonstrou indignação com os cortes, criticando o governo "supostamente vermelho" por reduzir benefícios sociais dos jovens para financiar cortes de impostos para empresas e gastos militares.
O ministro da Indústria e líder do Partido Social Liberal, Martin Lidegaard, admitiu que as decisões sobre os cortes são difíceis.
Impacto dos cortes no subsídio estudantil
Atualmente, estudantes que moram com os pais recebem 1.154 coroas dinamarquesas por mês; aqueles que vivem sozinhos, 7.426 coroas. O governo propôs aumentar o limite de renda para perda do benefício para até 700 mil coroas para estudantes residentes com os pais, contra o limite anterior de 419.589 coroas. Com as mudanças, estimam-se 14.000 estudantes que perderiam a bolsa e 8.000 que teriam o valor reduzido.
Adicionalmente, para terem direito ao seguro-desemprego após a graduação, os estudantes deverão ter trabalhado em pelo menos 18 dos últimos 24 meses durante os estudos.
Essas medidas foram o principal motivo para os recentes protestos em todo o país.