Análise das tensões no Oriente Médio em 2026
O cenário no Oriente Médio, especialmente após os conflitos de 2025, apresenta-se como um mosaico complicado de relações entre potências regionais e globais. As disputas entre Israel e Palestina continuam a ser a espinha dorsal das tensões na região, enquanto grandes líderes como Donald Trump e Benjamin Netanyahu se reúnem regularmente para discutir o futuro de Israel e Palestina, além de outras questões geopolíticas relevantes.
A situação na Palestina, que havia se deteriorado significativamente em 2025, não apresenta perspectivas otimistas para 2026. As conversas entre os líderes americanos e israelenses giram em torno de estratégias que não apenas afetam diretamente Gaza, mas também têm implicações para os normais relacionamentos regionais.
Os ataques a instalações iranianas e a resposta da comunidade internacional a esses eventos expõem as limitações do regime de Teerã. Por um lado, bombardeios cirúrgicos podem ser uma estratégia comum, mas alcançar uma desestabilização generalizada do país parece uma tarefa monumental, especialmente após décadas de tentativas dos EUA sem sucesso. A possibilidade de um caos na região é alarmante e carece de uma alternativa convincente interna ao regime iraniano.
No cenário mais amplo, a destruição de um adversário como o Irã é vista como essencial para Israel, especialmente na conotação de fragilizar também o estado turco. As interações dos EUA com Erdogan e a consideração de fortalecer a relação com a Turquia para estabilizar a região revelam uma estratégia híbrida entre diplomacia e ação militar que está em constante evolução.
O reconhecimento de Somalilandia como um Estado independente por parte de Israel, sem apoio significativo de aliados tradicionais, ilustra suas ambições regionalistas. O apoio da administração Trump a essa decisão, junto com a crítica de outros países como Turquia e Egito, destaca a crescente divisão entre as potências regionais que, em sua maioria, condenam as ações israelenses em Gaza.
Além disso, Israel tem avançado em acordos militares com Grécia e Chipre, manipulando a história de antagonismos antigos com a Turquia. Essa movimentação serve para desmantelar a política comum da União Europeia em relação ao genocídio em Gaza, ao mesmo tempo que deixa os laços com a Turquia em uma posição vulnerável.
No contexto interno, o esforço de Israel para garantir uma hegemonia absoluta na região parece intensificar-se, sem a intenção de normalização de relações com vizinhos, como evidenciado pelas falhas dos Acordos de Abraão. O futuro de Oriente Médio, portanto, apresenta um cenário conturbado, onde não apenas os governos, mas a população e os movimentos sociais de cada país são forçados a se adaptar a uma realidade nova, complexa e muitas vezes brutal. Luz Gómez, professora de Estudos Árabes na Universidade Autónoma de Madrid, enfatiza que a luta pela hegemonia e o controle da narrativa política são agora questões fundamentais em jogo.