Tensões em Minnesota: Exército dos EUA em prontidão após ameaça de Trump
O Pentágono colocou em alerta cerca de 1.500 soldados do Exército dos Estados Unidos para um possível deslocamento a Minnesota, após o presidente Donald Trump ameaçar invocar a Lei da Insurreição em meio a crescentes protestos no estado. As informações, repassadas sob condição de anonimato, foram confirmadas por autoridades de defesa ao Washington Post.
Os militares abrangem dois batalhões de infantaria da 11ª Divisão Aerotransportada, baseada no Alasca e especializada em operações em clima frio. Esse movimento de prontidão responde a preocupações sobre um potencial aumento da violência nas manifestações que ocorrem no estado, consideradas como parte de um planejamento prudente pelas autoridades militares.
A Casa Branca declarou que é comum o Pentágono se preparar para qualquer tipo de decisão que o presidente possa vir a tomar, embora não tenha comentado diretamente sobre o alerta dos soldados. A decisão final sobre o envio das tropas ainda não foi determinada.
Protestos e Ameaças de Trump
A atenção do governo se intensificou após Trump ameaçar o uso da Lei da Insurreição, caso as autoridades não consigam conter os manifestantes que têm se mobilizado contra as ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE). Em um anúncio feito na última quinta-feira (15), Trump afirmou que, se os protestos continuarem, não hesitará em invocar a referida lei, que foi criada em 1807 e permite que o governo use as Forças Armadas para conter distúrbios em solo americano.
A tensão aumentou após a morte da cidadã americana Renee Nicole Good, que foi fatalmente baleada em uma abordagem policial do ICE durante uma manifestação em Minnesota. A situação desencadeou protestos significativos, levantando questões sobre o uso de força letal durante operações de imigração e o comportamento das autoridades em situações de agitação civil.
Em suas declarações, Trump criticou os políticos de Minnesota, afirmando que se eles não cumprirem com a lei e permitirem que "agitadores profissionais" ataquem as forças do ICE, ele tomará medidas drásticas, potencialmente usando a lei para chamar tropas federais em apoio.
A Lei da Insurreição: Contexto Histórico
A Lei da Insurreição, também conhecida como Ato de Insurreição, foi uma legislação que permite ao governo federal empregar as Forças Armadas em respostas a insurreições internas. Historicamente, esta lei já foi utilizada para enfrentar crises, incluindo a resposta à ascensão da Ku Klux Klan após a Guerra Civil Americana. A última vez que a legislação foi aplicada foi em 1992, quando o presidente George H.W. Bush enviou tropas a Los Angeles após os tumultos gerados pelo julgamento de policiais que espancaram Rodney King.
Situação Atual e Reações Locais
As recentes operações de imigração intensificadas pelo governo têm gerado um clima explosivo em Minnesota. Desde dezembro, o Departamento de Segurança Interna tem realizado ações que resultaram na prisão de centenas de indivíduos e em confrontos diretos entre agentes do ICE e protestantes. Duas pessoas foram baleadas em uma abordagem, alimentando ainda mais a indignação da comunidade local.
O governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, Tim Walz e Jacob Frey, respectivamente, têm insistido na necessidade de que os protestos sejam conduzidos de forma pacífica, com Walz autorizando a mobilização da Guarda Nacional estatal para apoiar as operações locais, embora ainda não tenha determinado um envio imediato.
Nesta atmosfera, o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, anunciou ações judiciais contra o governo federal, alegando que as operações do ICE violam a Constituição e classificando-as como uma "invasão federal".
Desdobramentos Futuros
A mobilização do Pentágono e as decisões sobre o uso de forças militares em situações civis levantam questões jurídicas e éticas significativas, além de potencialmente acirrar ainda mais os ânimos já tensos no estado. Anteriormente, o uso de tropas para ações de aplicação da lei tem sido objeto de disputas judiciais, e o painel da Suprema Corte já questionou a legalidade do emprego de forças militares em algumas situações, citando a Lei Posse Comitatus, que limita tal uso.
O desfecho das tensões em Minnesota ficará dependente tanto da resposta das autoridades locais como das decisões que poderão ser tomadas em Washington, refletindo sobre o futuro do diálogo entre o governo federal e os movimentos sociais que se opõem às políticas de imigração atuais.