Tragédia na RS-115: Ciclista que queria doar órgãos é atropelado
O ciclista Isac Emanuel Ribeiro da Silva, de 35 anos, falecido após um atropelamento fatal na RS-115, em Três Coroas, havia registrado seu desejo de doar órgãos, uma decisão que facilitou o processo para sua família. O acidente, que ocorreu no último dia 21, também tirou a vida de sua esposa, Clarissa Felipetti, e da amiga Fernanda Barros. Enquanto as duas mulheres morreram no local, Isac foi levado ao hospital, mas não sobreviveu aos ferimentos.
A confirmação da morte cerebral de Isac foi um momento difícil para a família, que lembrou do registro prévio de doação feito pelo ciclista. Esse registro foi considerado crucial para a decisão de seguir adiante com a doação, conforme indicado pelo Colégio Notarial do Brasil. Clarissa, a esposa, acompanhou Isac na formalização da vontade de doação. Até abril de 2024, qualquer cidadão pode registrar seu desejo de ser doador gratuitamente e por meio de um sistema digital, a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). Desde o início do programa, 1.676 pessoas já utilizaram este serviço no Rio Grande do Sul.
Processo de registro simplificado
O registro da doação de órgãos é feito através da Escritura Pública Declaratória de Doação de Órgãos, que pode ser realizada presencialmente ou online. Acompanhado por um tabelião durante uma videoconferência, o doador assina a autorização eletronicamente, indicando quais órgãos gostaria de doar. As informações são então registradas na Central Nacional de Doadores de Órgãos, acessível a profissionais habilitados do Sistema Nacional de Transplantes. O processo é revertido a qualquer momento caso o doador mude de ideia.
Investigações do acidente
O motorista envolvido no acidente, José Carlos Almeida Bessa, foi indiciado por triplo homicídio qualificado, devido à gravidade do caso e à condição de embriaguez ao volante. Após fugir do local sem prestar socorro, deixou para trás a placa do veículo, que facilitou sua identificação. Ele foi preso em casa pela Brigada Militar com auxílio do sistema de cercamento eletrônico.
A defesa de Bessa, que não teve acesso ao inquérito, preferiu não comentar sobre as acusações.
O legado de Isac e as vítimas do acidente
O velório de Isac ocorreu no Ginásio Municipal Armando Brusius, em Três Coroas, onde amigos e familiares o recordaram como uma pessoa carismática e dedicada. Ele atuava como corretor de imóveis e era sócio de uma imobiliária na região. Em uma nota de pesar publicada pela empresa, colaboradores destacaram sua generosidade e dedicação à família e aos amigos.
Clarissa Felipetti, também conhecida como Sissa, era graduada em Educação Física e Propaganda e atuava como fotógrafa e no marketing de uma empresa local. Ela deixa dois filhos. Fernanda Mikaella Barros, originária de Minas Gerais, trabalhava em uma empresa calçadista e era muito querida por seus colegas, que lamentaram sua partida.
A tragédia que envolveu Isac e suas companheiras ciclistas levantou alertas sobre a segurança no trânsito, especialmente para os ciclistas, que frequentemente são os mais vulneráveis nas estradas. A Polícia Civil continua a investigação, enquanto a comunidade de Três Coroas se mobiliza em apoio às famílias das vítimas.