União Europeia se une contra tarifas de Trump e busca diálogo
A União Europeia (UE) convocou uma reunião de emergência após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas sobre países que apoiam a Groenlândia, caso não se chegue a um acordo para a compra da ilha. As tarifas, que começam em 10% e podem aumentar para 25%, ameaçam as relações transatlânticas e o acordo comercial entre EUA e UE.
A reunião, marcada para este domingo (18), será um espaço para discutir as implicações do tarifaço anunciado por Trump. Os líderes europeus expressam preocupação de que essas tarifas possam prejudicar as relações entre a UE e os EUA, além de desencadear uma espiral descendente nas negociações comerciais.
De acordo com o anúncio feito no sábado, a partir de 1º de fevereiro, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia estarão sujeitos a uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos exportados aos Estados Unidos. Trump afirmou que, caso não haja um acordo até 1º de junho de 2026, essa taxa poderá aumentar para 25%.
Todos os países afetados pelas tarifas enviaram recentemente tropas à Groenlândia, a convite do governo dinamarquês. O presidente Trump advertiu que essas nações estão jogando um "jogo muito perigoso" e que o nível de risco envolvido nessa situação "não é sustentável nem tolerável". Três princípios fundamentais da lei internacional foram citados, incluindo a integridade territorial e a soberania, que são essenciais para a Europa e a comunidade internacional como um todo.
"É imperativo que, para proteger a paz e a segurança mundiais, sejam tomadas medidas enérgicas para que esta situação potencialmente perigosa termine rapidamente", afirmou Trump.
Os líderes europeus, incluindo António Costa e Ursula von der Leyen, enfatizam a importância do diálogo, destacando que o exercício militar dinamarquês, realizado juntamente com aliados, é um reforço à segurança no Ártico e não uma ameaça.
No contexto das tensões, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia visitaram os Estados Unidos esta semana em uma tentativa de suavizar as relações. Embora as conversas não tenham solucionado o impasse, os diplomatas decidiram criar um grupo de trabalho de alto nível para seguir adiante nas negociações sobre a Groenlândia, uma ilha de importância estratégica.
As novas tarifas também colocam em riscos as perspectivas do acordo comercial entre os EUA e a UE, assinado no ano passado, que previa uma tarifa americana de 15% sobre a maioria dos produtos da UE em troca da eliminação de tarifas europeias sobre produtos industriais e alguns produtos agrícolas americanos.
No entanto, Manfred Weber, presidente do Partido Popular da Europa (PPE), o maior grupo político do Parlamento Europeu, manifestou que um novo acordo com os EUA não é mais viável. Através das redes sociais, ele sugeriu que, em face das ameaças de Trump à Groenlândia, a aprovação do acordo comercial não poderá mais ser considerada nesta fase.
Ainda que parte do acordo já esteja em vigor, a total implementação requer a aprovação do Parlamento Europeu. A união de representantes do PPE com grupos de esquerda poderá criar uma resistência suficiente para atrasar ou bloquear a ratificação do tratado. A reunião dos 27 países da União Europeia ocorrerá no Chipre, às 17h, horário local (12h no horário de Brasília).