Governadores Investem em Armamento Pesado para Melhorar Segurança Pública
Governadores de diversos estados brasileiros, pressionados pela crescente insegurança, estão aumentando seus investimentos em armamentos pesados como parte de suas estratégias para melhorar a avaliação pública. As iniciativas variam de promessas de “um fuzil por policial” até a aquisição de helicópteros como os Black Hawk, usados atualmente no Brasil apenas pelas Forças Armadas. Governadores como Ratinho Jr, Ronaldo Caiado e Tarcísio de Freitas têm usado as redes sociais para divulgar suas ações, enquanto especialistas alertam que a simples compra de armamentos não é a solução definitiva para a segurança.
A segurança pública é um tema crítico na avaliação popular dos governadores, e muitos deles estão tomando medidas drásticas para tentar melhorar suas imagens perante a população. Desde o último ano, governadores de diferentes espectros políticos têm anunciando a compra de armas e equipamentos com alto poder de fogo para o combate ao crime. Segundo dados de pesquisas, a insegurança é uma das principais preocupações da população, fazendo com que os líderes busquem através da militarização soluções imediatistas.
Nas redes sociais, diversos vídeos mostram governadores celebrando suas novas aquisições, posando em meio a viaturas ou empunhando novos armamentos. O cenário é um reflexo da pressão crescente por resultados em um setor em que as avaliações são predominante negativas. A questão da segurança pública, por exemplo, foi alvo de críticas em pesquisas recentes, com dados alarmantes apontando que até 60% da população no Rio de Janeiro avalia negativamente a atuação das autoridades na área.
Ratinho Jr, do Paraná, anunciou no mês de setembro investimentos de R$ 116 milhões na segurança pública, que incluem a entrega de novos helicópteros, 1.500 fuzis e 91 viaturas. O evento de entrega no Parque Tanguá em Curitiba foi marcado por grande ostentação, com diversas viaturas enfileiradas e aeronaves sobrevoando a área, enquanto fumaça das cores do estado era lançada no céu. Em suas declarações, Ratinho Jr afirmou:
“Nós não teremos nenhuma viatura sem um fuzil, sem uma arma não letal.”
Ronaldo Caiado, governador de Goiás, também vem utilizando estatísticas de criminalidade para alavancar sua imagem, e em dezembro anunciou um pacote que inclui R$ 81 milhões em armamentos e um helicóptero para suas forças de segurança. Por outro lado, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, fez da segurança pública um dos temas mais discutidos em suas comunicações pelas redes sociais, em um esforço para combater o crime organizado.
Do lado oposto, Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, tem se posicionado como um defensor das políticas de linha-dura, prometendo investir pesadamente em armamentos. Recentemente, ele anunciou a compra de 350 fuzis israelenses para a Polícia Civil de seu estado, afirmando que está disposto a fornecer qualquer armamento solicitado pela polícia, incluindo tanques. Em uma das suas declarações, Jorginho afirmou:
“Se a polícia me pedir um tanque de guerra, eu vou autorizar. Porque na hora do confronto não sou eu, nem quem está criticando, que vai trocar tiro com bandido.”
Especialistas como Roberto Uchoa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, advertiram que a simples presença de armamento não é suficiente para resolver os complexos problemas de segurança no Brasil. Segundo ele,
“O armamento por si só não é a solução. Não adianta você comprar um fuzil para cada policial quando não é a arma adequada.”
Outros estados também estão seguindos essa tendência. Por exemplo, Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, divulgou a compra de mil pistolas, 700 fuzis e um helicóptero. Enquanto isso, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciou um investimento substancial na compra de novas viaturas, visando atender a demanda por segurança em sua gestão.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues comprometeu-se a aumentar a aquisição de armamentos, enquanto Elmano de Freitas, no Ceará, revelou planos de construção de novos presídios, junto com a compra de carabinas. Por fim, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, também investiu em fuzis, elevando os gastos na segurança pública estadual.
Dessas iniciativas, observa-se que a chamada "correr armamentista" entre as autoridades estaduais pode não ser a melhor estratégia frente à complexidade da segurança pública no país. Doutores em segurança recomendam que comissões avaliadoras independentes sejam estabelecidas para assegurar que os investimentos em segurança sejam acompanhados de uma visão clara e contextualizada, que leve em conta outros fatores além das cifras exorbitantes direcionadas apenas a armamentos.