Justiça para Victoria: pai luta por ver responsáveis punidos
Após uma batalha de dez anos por justiça, o pai de Victoria Mafra Natalini, aluna que perdeu a vida em uma excursão escolar em 2015, finalmente vê a verdade emergir. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou a Escola Waldorf Rudolf Steiner a indenizar a família em R$ 1 milhão, devido a uma "sucessão de falhas assombrosas" na supervisão da viagem, além de destacar a falta de segurança e a omissão de procedimentos adequados de monitoramento.
A tragédia começou no dia 11 de setembro de 2015, quando Victoria, de apenas 17 anos, embarcou em uma viagem escolar que prometia ser educativa e segura. A proposta era realizar atividades relacionadas à Matemática e agrimensura em uma fazenda. Contudo, a escola impôs restrições, incluindo a proibição de celulares e a falta de supervisão adequada, já que apenas dois professores estavam responsáveis pela turma de 34 alunos e não acompanhavam as atividades ao ar livre.
O pai de Victoria relembra seu último momento junto à filha: "Ela estava preocupada em dar o melhor de si e fazer um bom trabalho, para obter boas notas. Eu a tranquilizei, e a beijei na testa antes de ela subir no ônibus. Nunca mais a vi com vida." Essa despedida se tornaria um pesadelo, pois o que era para ser uma rotina escolar acabou se transformando em uma calamidade. Victoria desapareceu durante a realização de atividades na fazenda, e o desespero tomou conta da família ao receberem a notícia.
A escola alegou que a viagem transcorria de forma normal, até que, dias depois, os gestores informaram ao pai que a filha havia desaparecido. A ausência de informações e a inércia das autoridades foram alarmantes. O pai relembra as dificuldades para chegar até o local e a falta de assistência adequada no momento do desaparecimento: "A polícia e a Guarda Civil Metropolitana já tinham encerrado suas buscas e não permitiam que ninguém permanecesse na procura por ela".
Tragicamente, no dia seguinte, o helicóptero da Polícia Militar encontrou o corpo de Victoria. A causa da morte rapidamente foi questionada pela família, que enfrentou mais uma barreira ao se deparar com um laudo que sugeria causas naturais, contradizendo o estado saudável da jovem antes do trágico evento.
A luta pela verdade e a investigação falha
Frustrados pelo refrão da investigação, os familiares se mobilizaram e contrataram especialistas proveindo fornecer uma contraposição ao laudo inicial. De acordo com novas análises feitas, a causa da morte foi reclassificada para asfixia mecânica por sufocação. O STJ, ao analisar o caso, corroborou a tese de que houve omissão de procedimentos adequados por parte da escola, reconhecendo as negligências que culminaram na morte de Victoria.