O desafio da oposição em conquistar o eleitorado feminino em 2026
No Brasil, a disputa pelo eleitorado feminino e apolítico, principalmente na faixa de renda entre 2 a 5 salários mínimos, será crucial para a oposição nas eleições presidenciais de 2026. Este grupo, composto majoritariamente por empreendedores urbanos do Sudeste, representa um segmento que passou a se mostrar decisivo nas eleições recentes.
A análise do cenário atual revela que o antipetismo de chegada se tornou uma estratégia inevitável para aqueles que almejam ocupar a Presidência. Trata-se de um fenômeno que faz com que eleitores, em sua maioria, concentrem seus votos em um único candidato, com foco em quem possui mais chances de derrotar um representante do Partido dos Trabalhadores (PT) no segundo turno.
A trajetória das últimas eleições ilustra essa dinâmica: em 2014, Aécio Neves conseguiu uma distância de 12 pontos percentuais em relação a Marina Silva, enquanto em 2018, Jair Bolsonaro obteve uma vantagem de 41 pontos sobre Geraldo Alckmin. Os dados mostraram um crescente movimento de eleitorado que, mesmo partindo de bases distintas, buscou alternativas fora do campo petista.
A batalha pelo antipetismo de chegada estará em evidência novamente em 2026, devido à construção de uma narrativa que possa engajar o eleitorado insatisfeito. O desafio para a oposição é apresentar candidatos que sejam viáveis e que não estejam associados à rejeição do passado, enquanto, por outro lado, candidatos potenciais, como governadores, precisam romper com a falta de reconhecimento popular.
A pesquisa realizada pela Meio/Ideia em fevereiro mostra que 51% da população acredita que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, não merece permanecer no cargo. Dessa forma, a escolha central se concentrará em avaliar a necessidade de continuidade do governo petista, balizando a votação de 2026.
Os 3% restantes do eleitorado, formado por um subgrupo que transitou entre votar em Bolsonaro em 2018 e Lula em 2022, estão se mostrando uma peça-chave neste tabuleiro político. Esses 4,5 milhões de eleitores que compõem esse segmento são, em sua maioria, mulheres empreendedoras e fortemente apolíticas. A oposição precisa prestar atenção nas necessidades e perspectivas desse público, que se encontra distante da narrativa convencional de luta de classes.
Por outro lado, a oposição não pode se prender à ideia de que a mudança virá apenas com a remoção do PT do poder, tampouco deve insistir em temas que não ressoam com esse eleitorado, que busca propostas inovadoras. Até agora, tanto o governo quanto a oposição não conseguiram oferecer uma visão de futuro atraente para este grupo. A "última cruzada" por esses 3% permanece aberta, e quem deixar de apresentá-los uma visão clara pode sofrer as consequências nas urnas.
A real disputa pelos corações e mentes desse eleitorado feminino pode redefinir os parâmetros das eleições presidenciais, tornando-se um desafio obrigatório para todos os candidatos que aspiram ao Planalto.