Roubos de celulares durante o carnaval de SP em 2025
Durante os oito dias de carnaval de 2025, a capital paulista registrou 6.067 ocorrências de roubos e furtos de celulares. O levantamento realizado pelo g1 baseou-se nos registros de boletins de ocorrência disponibilizados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
Com o carnaval sendo um dos maiores eventos do Brasil, atraindo cerca de 16 milhões de foliões espalhados por mais de 600 blocos, a concentração de pessoas em áreas de grande fluxo contribui para um aumento significativo nos crimes. Segundo a análise, quase 20% dos delitos envolvendo celulares ocorreram em circuitos de megablocos, totalizando 1.145 casos apenas nesses trajetos.
As ruas com maior número de registros de roubos e furtos de celulares foram:
- Avenida Pedro Álvares Cabral
- Rua da Consolação
- Avenida Marquês de São Vicente
- Rua Augusta
- Praça da República
Essas áreas estão inseridas em circuitos tradicionais de megablocos, como o Pipoca da Rainha, que conta com a presença da artista Daniela Mercury, e o Almofadinhas, do Acadêmicos do Baixo Augusta. Apesar de a Avenida Paulista ser um ponto turístico conhecido por sua movimentação, ela ocupou a oitava posição no ranking de ocorrências.
O levantamento considerou todas as ocorrências nos períodos de pré-carnaval, carnaval e pós-carnaval durante os dias 22 e 23 de fevereiro, 1º a 4 de março e 8 e 9 de março de 2025.
O Centro da cidade, especialmente os bairros da República e Consolação, apresentou os maiores índices de roubos e furtos, respondendo por 45% do total de ocorrências. A SSP informou que esses locais são monitorados permanentemente e recebem reforço no policiamento durante o carnaval. Nos meses que antecederam a festividade, houve uma redução de 60% nos crimes relacionados a furtos de celulares.
A relação entre aglomeração e distração dos foliões é um ponto destacado por especialistas no assunto. Segundo Alan Fernandes, conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o grande número de pessoas em um mesmo espaço, somado à distração comum durante os festejos, facilita a ação de criminosos. Fatores como consumo de álcool e a dinâmica dos eventos promovem um ambiente propício para furtos.
Rafael Alcadipani, professor da FGV e membro do FBSP, complementa que a combinação de distração e a configuração urbana dos carnavais intensifica a vulnerabilidade dos foliões. Segundo ele, para reduzir esses índices de criminalidade, é essencial o reforço no policiamento, além de ações de inteligência e uso de tecnologias de monitoramento.