Marília Arraes é nova candidata ao Senado pelo PDT em Pernambuco
Marília Arraes, ex-deputada federal, anunciou sua filiação ao PDT para disputar o Senado em Pernambuco. Com uma expressiva liderança nas pesquisas, chegando a 41% das intenções de voto, Arraes fortalece a disputa na chapa do prefeito de Recife, João Campos (PSB), que conta com o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esta movimentação acontece em um momento crítico, à medida que se aproxima a definição das candidaturas para as eleições de 2024, e Marília busca consolidar sua presença em um cenário político repleto de alianças e rivalidades.
A ex-deputada comunicou à presidência nacional do Solidariedade sua decisão de deixar o partido e se filiar ao PDT, com a cerimônia de filiação marcada para o dia 12 de março. Em suas declarações, Marília enfatizou que seu engajamento na candidatura “não tem volta”. "Hoje assumo a responsabilidade. Não tem volta atrás. Eu não tenho direito de fazer isso com mais de 40% da população que quer que a gente esteja no Senado", afirmou, citando uma pesquisa recente do Datafolha.
Marília tem utilizado suas redes sociais para reforçar seu apoio ao presidente Lula e ao prefeito João Campos, que é pré-candidato ao governo estadual. Na chapa de Campos, a única candidatura confirmada ao Senado até o momento é a do atual senador Humberto Costa, que busca a reeleição, mas a segunda vaga está em aberto, com Marília em busca de espaço. Outros candidatos em consideração incluem o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), bastante considerado por Lula, e Miguel Coelho (União Brasil), preferido por uma ala do governo Campos.
Aliados de Marília acreditam que sua liderança nas intenções de voto torna quase "insustentável" uma chapa apoiada por Lula que não a inclua. Marília, que já foi integrante do PT, pode ser fundamental para ampliar a base de apoio de João Campos. O PSB, que foi um dos aliados mais próximos de Lula em 2022, solicita um suporte exclusivo do ex-presidente para Campos, que é presidente nacional do PSB. Este cenário gera expectativas de que Lula participe das discussões sobre a formação da chapa, embora a possibilidade de um palanque duplo em Pernambuco não esteja descartada.
Atualmente, a governadora Raquel Lyra também está em um movimento estratégico, migrando do PSDB para o PSD, buscando estreitar laços com Lula. Apesar da presença do PSD em três ministérios no governo Lula, há uma situação complexa com três governadores do partido que são pré-candidatos à Presidência: Ratinho Júnior (Paraná), Ronaldo Caiado (Goiás) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). Assim, Lyra poderia também ficar à frente de um palanque duplo.
A primeira pesquisa Datafolha do ano, divulgada em fevereiro, revelou que Marília se destaca em todos os cenários testados, com índices entre 36% e 41% das intenções de voto. Sua trajetória política é marcada por uma aliança à esquerda desde a juventude, o que a coloca à frente até mesmo de Humberto Costa, que oscila entre 24% e 26% nas pesquisas.
Marília deixou o PT em 2022 devido a disputas internas e anunciou sua pré-candidatura ao Senado em outubro do ano passado, em um evento onde João Campos estava presente, sendo primo da ex-deputada. Antes da pesquisa, aliados de Campos acreditavam que a permanência de Marília em um partido com menor visibilidade prejudicaria as negociações. A expectativa era que ela tomasse uma decisão por uma candidatura “avulsa”, o que foi rechaçado por Marília. Sua filiação ao PDT abre novas possibilidades para a formação da chapa.
— Eu e João disputamos projetos antagônicos durante muito tempo e convergimos quando houve a necessidade de combater o bolsonarismo. Nos apoiamos nas eleições de 2022 e 2024. Sou a única mulher cotada para compor a chapa dele, que vai disputar contra uma governadora e uma vice, e estou liderando todas as pesquisas. Qual é a razão, então, para que eu ou qualquer pessoa cogite que eu vá ser uma candidata avulsa? — declarou Marília em entrevista ao GLOBO.