Ciclistas no Rio de Janeiro enfrentam vias perigosas
Levantamento da Prefeitura do Rio analisa 105 vias, cruzando velocidade, infraestrutura e circulação de ônibus, revelando condições de alto risco para ciclistas, usuários de bicicletas elétricas, patinetes e ciclomotores. A pesquisa destaca que as principais vias da cidade combinam alta velocidade com a falta de infraestrutura adequada, o que aumenta o risco de acidentes. Este panorama se torna ainda mais preocupante com a recente regulamentação municipal que altera as regras para esses modais.
O estudo revela que das 105 ruas avaliadas, 43 foram classificadas como “segurança crítica”, 24 como “baixa segurança”, 35 como “segurança moderada” e apenas 3 como “alta segurança”. As vias com maior fluxo e altas velocidades predominam entre as mais perigosas, deixando os ciclistas vulneráveis.
Um dos pontos críticos identificados na pesquisa é a Grande Tijuca, onde das 15 vias analisadas, mais da metade foi classificada como insegura. A tragédia recente na Rua Conde de Bonfim, que resultou na morte de uma mãe e seu filho, destaca a urgência de mudanças nas políticas de tráfego. Essa via, que possui um limite de 50 km/h e não dispõe de infraestrutura cicloviária, exemplifica a combinação letal de velocidade e vulnerabilidade.
“Nossa preocupação é clara em relação à velocidade. Estudos mostram que acima de 50 km/h é letal para ciclistas,” afirma Vivi Zampieri, gestora de Mobilidade Ativa da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio.
A pesquisa também evidencia a ausência de infraestrutura na Zona Norte, onde em bairros como Benfica e Engenho da Rainha, as condições são geralmente críticas. Em contraste, a Zona Sul apresenta melhor infraestrutura, mas ainda há problemas com a interconexão entre as ciclovias, o que obriga ciclistas a se deslocarem por vias perigosas.
Um estudo da União de Ciclistas do Brasil (UCB) corroborou os achados do levantamento, indicando que 80% dos trechos mais utilizados por ciclistas na cidade não possuem ciclovias seguras. As ciclovias existentes muitas vezes estão desconectadas e não atendem à demanda crescente por segurança mobilidade.
Os dados recentes mostram um aumento preocupante no número de acidentes envolvendo ciclistas. Somente em março de 2026, foram registrados 425 casos. Esse aumento alarmante destaca a necessidade de intervenções imediatas e eficazes nas políticas urbanas e no planejamento de infraestrutura.
A imposição de normas que restringem a circulação de bicicletas, sem garantir alternativas seguras, pode ter um efeito adverso. A nova regulamentação determina que ciclomotores não podem circular em ruas com limite de velocidade superior a 60 km/h, o que, segundo especialistas, pode levar ciclistas a se arriscar em vias perigosas, sem opções seguras.
A Prefeitura do Rio anunciou um plano de expansão da malha cicloviária, com a adição de 50 quilômetros de novas vias até 2028. Embora essa iniciativa vá ao encontro das necessidades identificadas, especialistas enfatizam que é fundamental um plano abrangente, que inclua gerenciamento de velocidade e infraestrutura adequada, além de campanhas de educação no trânsito.
Por fim, ao se deparar com um cenário tão complexo, é essencial que a população, incluindo ciclistas, entregadores e residentes, seja incluída nas discussões sobre segurança e mobilidade na cidade. Isso permitirá um planejamento mais eficaz e uma resposta mais direta às necessidades da comunidade.