MBD dividido sobre apoio a Lula na reeleição
O MDB enfrenta um cenário de divisões internas significativas ao discutir o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de reeleição, com 16 diretórios contrários a essa aproximação e 11 a favor, conforme um levantamento interno feito pela direção nacional do partido. A sigla, conhecida pelo histórico de divisões regionais, está considerando a possibilidade de se manter neutra, permitindo que os diretórios estaduais decidam autonomamente a quem apoiar.
A última vez em que o MDB esteve em aliança formal com o PT nas eleições presidenciais foi em 2014, quando apoiou Dilma Rousseff e indicou Michel Temer para a vice-presidência. No entanto, essa parceria foi marcada por dissidências internas, sendo que, nas eleições de 2010, parte do partido apoiou o tucano José Serra, e, em 2014, também houve seguimento a Aécio Neves, do PSDB. O impeachment de Dilma Rousseff gerou um rompimento na parceria, que tem sido restabelecida gradualmente, mas com divisões ainda acentuadas, especialmente após o segundo turno das eleições de 2022.
A fim de atrair o apoio do MDB, o governo federal avalia a possibilidade de oferecer ao partido a vice-presidência, atualmente ocupada por Geraldo Alckmin (PSB). No entanto, a decisão oficial do partido será tomada apenas na convenção nacional, que contará com a votação de parlamentares, presidentes de diretórios e delegados namorados.
Em 2026, os membros do MDB poderão optar por apoiar Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ou um nome alternativo, como Ratinho Júnior (PSD). Entretanto, a hipótese mais provável discutida internamente é que o partido opte pela neutralidade. Segundo o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, "nosso foco é na montagem dos palanques estaduais, respeitando a estratégia eleitoral de cada diretório. Essa é uma característica histórica do MDB."
Os diretórios que defendem apoio a Lula estão localizados principalmente nas regiões Nordeste e Norte. No Pará, por exemplo, o governador Helder Barbalho, cuja influência é significativa, possui um irmão, Jader Filho, que atua como ministro das Cidades. Em uma recente entrevista, Jader Filho qualificou como "questão de coerência" o apoio do MDB ao petista, dadas as responsabilidades do partido em pastas importantes do governo.
Em Alagoas, o ministro dos Transportes, Renan Filho, também favorece o alinhamento, considerando-se um dos possíveis candidatos a vice de Lula. A capacidade administrativa de Renan Filho é elogiada por Lula, que considera sua experiência fundamental para a gestão pública.
Na estrutura interna do MDB, o clã Barbalho possui uma influência mais forte, especialmente após o expressivo desempenho do partido nas eleições de 2022 no Pará. A candidatura de Renan Filho ao governo do estado é vista como ato crucial para garantir a reeleição de seu pai ao Senado, além de beneficiar as votações de deputados do partido.