Suprema Corte dos EUA limita poder de Trump e decide em favor de exportadores
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos contra as tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump representa uma vitória significativa para exportadores, incluindo brasileiros. Este veredito não apenas beneficia o comércio internacional, mas também destaca a importância dos limites do poder presidencial em uma democracia.
Trump agiu unilateralmente, sem consultar o Congresso, utilizando brechas legais para aplicar tarifas em todo o mundo. Essa prática levantou preocupações sobre a tendência autocrática em sua administração, e a recente decisão da Suprema Corte reforça a resistência das instituições americanas às violações democráticas.
A decisão, que declarou as tarifas americanas ilegais, é uma boa notícia para os exportadores que ainda enfrentam taxas elevadas. O Brasil, sob a liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin e do presidente Lula, empenhou-se em negociações diretas com Trump, buscando mitigar os efeitos do que poderia ser um "tarifaço" nacional. O esforço da diplomacia brasileira, junto ao setor privado, foi crucial para reduzir os impactos, embora ainda haja segmentos prejudicados por essa política.
Pode-se analisar essa decisão sob uma perspectiva mais ampla, refletindo sobre seu papel na manutenção da democracia nos Estados Unidos. Durante seu governo, Trump assumiu um comportamento autocrático, muitas vezes ignorando a necessidade de submeter suas decisões ao Congresso. No caso das tarifas, ele usou uma legislação de 1977 que permitia ações em situações de emergência nacional, uma interpretação que foi considerada arbitrária e enganosa, pois as exportações brasileiras não representavam tal emergência.
O revés de Trump na Suprema Corte, onde seus indicados participaram da votação, enfatiza que, em uma democracia, o poder não é absoluto. Enquanto em regimes autocráticos a liderança pode exercer um controle total, os Estados Unidos, fundamentados em princípios democráticos, possuem salvaguardas contra abusos de poder.
A decisão da Suprema Corte também é um importante sinal para o comércio internacional. Ao reafirmar que o presidente tem limites, a justiça americana envia uma mensagem clara a Trump de que suas estratégias de governança não podem sobrepor-se à lei e à democracia. Isso representa uma resposta institucional que transcende a questão das tarifas.
Um dos tópicos debatidos é a possível devolução de valores aos afetados pelas tarifas. Contudo,, essa devolução é complexa, pois quem deveria receber? Os países, exportadores ou importadores? No fim, quem arcou com os custos das tarifas são os importadores. Para muitos, essa questão é complicada, especialmente considerando que exportadores já reduziram suas margens de lucro para manter a competitividade.